Within Temptation – Resist

Within Temptation – Resist

Saindo de contos sobre a mãe terra e rainhas de gelo para cenários futuristas e pós apocalipticos, os holandeses do Within Temptation não cansam de inovar e surpreender (positivamente, ao menos para mim) os fãs!

Não é incomum constatar que boa parte das bandas do estilo (cuja rotulação é bem confusa, mas costumo chamar de Female Fronted) mudaram de pelo menos um pouco a quase que completamente sua sonoridade nos ultimos tempos, entre elas podemos citar Epica, Nightwish, Lacuna Coil e Delain.

Sem dar ouvidos às viuvas da pegada “medieval” e “clássica”, que condenam os grupos por terem abandonado ou mudado essas características, eu nunca realmente me decepcionei com essas mudanças. Digamos que quando eu era mais nova foi um choque constatar que as minhas bandas do coração estavam mudando, o que hoje eu entendo por evolução.

Eu pensei “Oh não! O que eu vou ouvir agora que me faça sentir uma princesa gótica trancada na janela mais alta da torre mais alta, cercada por bruxas, duendes e dragões a espera do meu principe encantando cabeludo de unhas pretas e delineador?!” Mas felizmente, a maturidade veio e eu entendi que mudanças fazem parte da vida. E mudanças com virtuose incontestável são mais do que bem vindas. Então se você chora porque o Within Temptation cansou faz tempo de repetir as mesmas fórmulas de Enter e Mother Earth, pega seu lencinho bordado, seque suas lagrimas de sangue e tchau! Ufa! Que alívio. Agora vamos à obra propriamente dita.

Resist é o sétimo álbum do WT e é muito interessante observar a evolução dos assuntos abordados na lírica, junto ao constante aprimoramento e experimentação do som e até mesmo como o visual mudou junto com tudo isso. Parece repetitivo dizer, mas nenhuma palavra descreveria melhor do que “evolução” no sentido literal.

Desde Hydra, o grupo ja dava sinais que se voltava para temas futuristas, preocupações com meio ambiente e sociedade, temas pós apocaliticos e afins. Em Resist, isso está escancarado.

The Reckoning foi a primeira música a ser solta e não me decepcionou em nada, uma das minhas prediletas, conta com a participação do vocalista do Papa Roach, Jacoby Shaddix. Uma faixa pesada, com linhas de guitarra de grande presença. Raise Your Banner, com participação especial também, lançada na sequencia e praticamente irmã da primeira, trouxe vocais mais operísticos de Sharon em algumas passagens para quem estava com saudades. Anders Friden do In Flames faz par com a vocalista nessa peça ótima.

E por falar em participações, eles tem apostado muito nisso e com muita variedade visto  que em Hydra, o rapper Xzibit deu uma palinha em And We Run. E por falar em “rap”, parece que esse feat. deixou Sharon inspirada a ponto de gravar o seu próprio em Holy Ground, bem experimental com uma fórmula que funcionou muito! Haters gonna hate!

Ainda sobre experimentalismos, temos Firelight, uma lenta incrível e muito ambientada, algo que me lembrou muito The Weeknd com guitarras pesadas. Outras que merecem destaque são In Vain, com uma agradável e melancólica melodia, assim como Mercy Mirror.

Na versão Deluxe, os mais empolgados vão encontrar as versões instrumentais de todas as faixas para cantarolar e postar no YouTube, ou simplesmente apreciar.

Infelizmente ainda não rolou nenhum anúncio de tour por aqui, enquanto isso, deixo vocês com os mais novos clipes! Ou seriam superproduções? :p

Within Temptation é:

Sharon den Adel – vocal
Ruud Jolie – guitarra
Stefan Helleblad – guitarra
Martijn Westerholt – teclado
Mike Coolen – bateria
Robert Westerholt – guitarra estúdio

Inherence – Dogma

Inherence – Dogma

Rápido, quebrado e brutal.  Essa é a proposta sonora dos paulistas do Inherence, banda formada em 2016 e que lançou seu primeiro álbum, Dogma, em 2018. E devo dizer logo, que puta álbum!

É um pouco difícil hoje em dia encontrar uma fórmula que soe realmente original e ao mesmo tempo fundamentada em determinados subgêneros sem parecer uma cópia pirata e piorada dos seus ídolos. Definitivamente, a banda conseguiu se colocar acima desse patamar e além. Para uma estreia, a qualidade espanta, bem como a violência das canções. Ou seria melhor dizer, hinos do apocalipse??

Pode-se dizer que em Dogma, o Inherence pegou o que tem de melhor e mais brutal de dois mundos: O mundo dos “Core” e o mundo do “Death/Thrash Metal”. Muitos breakdowns, porém bem dosados, mesclados com ataques violentos de bateria e baixo e uma riqueza de riffs mais fluidos que hora te fazem flutuar acima das linhas da base e da voz só para te massacrarem no chão em seguida.

E o que dizer do estilo vocal? Pelo menos para mim, esse é um fator determinante para a glória ou a desgraça de um álbum e até mesmo de uma banda. Mas no caso de Thiago Castor, foi amor a primeira ouvida, bem como todo o resto. O que me deixa bem curiosa para ouvir o som deles ao vivo.

The Chosen One, que abre o tracklist, cai na sua cabeça com uma avalanche de riffs, pedais duplos e uma cadência incrivelmente pesada. Se tivesse que escolher uma favorita, certamente seria essa. Self Trepanation vem na mesma pegada, e aos que procurarem por algo de Slayer encontrarão em Art Of Killing. Dystopia merece destaque para sua melodia esmagadora e outra favorita foi Slavery Design, que quebradeira incrível, meus amigos.

E por fim, se ao término do disco você não sentir uma vontade incontrolável de se perder num mosh, você ouviu errado!

O Inherence é:

Thiago Castor – vocais
Marcelo Liam – guitarra
B2 – baixo          
João Limeira – bateria

Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light

Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light

Quando uma sobra é forçada à luz. O título do novo álbum do Swallow The Sun é auto-explicativo. Uma viagem densa e melancólica, entre o belo e o desesperador, o triste e o esperançoso, o amor e a morte. A saudade.

Era difícil de imaginar qual direção a banda seguiria após o disco triplo anterior, Songs From The North lançado em 2015 (leia resenha clicando aqui), já que cada disco traz uma sonoridade diferente.

When Shadow Is Forced Into The Light será lançado no dia 25 de janeiro pela Century Media, e foi precedido pelo EP “Lumina Aurea”. Uma música com quase 14 minutos de duração e que tem a participação do Einar Selvik do Wardruna e Marco I. Benevento do The Foreshadowing. A primeira vez que ouvi “Lumina Aurea”, o que se passou na minha cabeça foi “Que porra é essa?”. Sério, são 14 minutos muito atmosféricos e totalmente diferente de qualquer outra coisa que o Swallow The Sun já lançou. Até que resolvi ouvir de uma forma diferente. Deitada, no escuro, e ali entendi quando Juha Raivio, guitarrista e fundador da banda, quis dizer com “Lumina Aurea é uma música que eu nunca queria ter escrito. É um sangramento aberto, uma ferida negra dos últimos dois anos e meio da minha vida […] A maneira como escrevi e gravei foi tão violenta, emocional e fisicamente, que acho que nunca irei falar sobre isso em público”. Realmente, Juha, é um sangramento. Não demorou muito para que ali, no escuro, eu começasse a sentir uma sensação estranha. Um aperto no peito, um soco no estômago. E essas foram só as primeiras sensações.

Todo esse sentimento carregado que o novo trabalho do Swallow The Sun traz tem um motivo: a morte precoce de Aleah Starbridge, parceira de Juha Raivio, vocalista do Trees Of Eternity e que também participou de trabalhos do Swallow The Sun e Amorphis. “Cada palavra e nota que escrevi, escrevi para Aleah e sobre minha própria batalha desde que ela se foi. O título do álbum vem das próprias palavras dela. Isso foi exatamente o que eu precisava fazer. Para me empurrar para fora das sombras.”

SWALLOW THE SUN – When a Shadow is Forced into the Light

O vocalista e guitarrista do Les Discrets, Fursy Teyssier, foi o responsável pela capa do disco, que de acordo com Raivio “É uma guerreira mascarada. Ela cortou as asas negras dos demônios. Ela está no topo de uma pilha de asas negras que sangram ouro na água”.

O álbum começa com a faixa-título – e que já se tornou uma das minhas favoritas da banda, além de ser a mais pesada e desesperadora, além de dar espaço a todo o talento vocal de Mikko Kotamäki. Tem vocal limpo, rasgado,  deep growls. O que será que ele não consegue cantar? Sem contar com a voz de Jaani Peuhu, que traz um contraponto de suavidade belo e melancólico.

“The Crimson Crown” talvez seja a mais ‘leve’ do álbum e tem um ‘Q’ de Anathema , Alcest e Katatonia atual, seguida por “Firelights” e “Upon The Water”, que foram as escolhidas para serem os primeiros singles do disco. Começam calmas, progridem de uma forma emocional, flertam com o Black Metal, e a cada nova audição você descobre algo novo. Uma nova camada de algo.

“Stone Wings”, “Clouds On Your Side” e “Here On The Black Earth” é uma trinca MUITO emotiva, com refrões que nos esmagam. Difícil de dizer se são canções de partir o coração, ou de juntar os pedaços. O álbum fecha com a não menos emotiva “Never Left”.

O fato é que esse álbum traz um STS diferente, principalmente para aqueles que esperavam algo mais lento, pesado, algo mais funeral. Esse é um STS mais melódico, com muitas mais camadas de voz, cordas, teclados, texturas e refrões muito mais pegajosos. São músicas carregadas de vários sentimentos e sensações. São poucos os álbuns de Doom (e estilos derivados) que nos faz, realmente, embarcar numa viagem melancólica, obscura, e ao mesmo tempo recheada de uma sensação boa. É difícil de explicar como um álbum de Doom pode trazer paz, mas é isso que acontece. É como se fosse uma trilha sonora de um momento de libertação. Em When A Shadow Is Forced Into The Light, o Swallow The Sun prova que o amor é mais forte que a morte.

O Doom Metal é onde a tristeza repousa.

Swallow The Sun – When A Shadow Is Forced Into The Light (2019) – Century Media Records
01. “When A Shadow Is Forced Into The Light”
02. “The Crimson Crown”
03. “Firelights”
04. “Upon The Water”
05. “Stone Wings”
06. “Clouds On Your Side”
07. “Here On The Black Earth”
08. “Never Left”

Swallow The Sun

Swallow The Sun é: Jaani Peuhu, Juha Raivio, Mikko Kotamäki, Juuso Raatikainen, Juho Räihä e Matti Honkonen.

Swallow The Sun – Songs From The North

Swallow The Sun – Songs From The North

Pausa para esse álbum que amo, na verdade, esses álbuns, pois são três!

Songs From The North I, II e III é uma das obras mais belas que surgiu no Doom Metal nos últimos anos, isso porque além de letras fodas pra caralho, cada disco tem uma sonoridade diferente.

Parte I – Melancolia
O primeiro disco é o meu preferido. Arrastado, mas sem perder a melodia, letras profundas, refrões que ficam na cabeça, vocais guturais mesclando com limpos.  “Heartstrings Shattering” (que conta com a participação da ex-vocalista do Trees Of Eternity, Aleah Stanbridge), “Lost & Catatonic” e “From Happiness to Dust” são destaques absolutos.

Parte II – Beleza
Álbum acústico, belo,lento e que mostra a versatilidade do vocalista Mikko Kotamäki, um dos meus cantores preferidos de gutural, mas que mostra que sua voz também tem beleza quando limpa. Amo as músicas “The Heart Of A Cold White Land” e “Pray For The Winds To Come”.

Parte III – Desespero
Funeral Doom daqueles bem maravilhosos. É pesado, leeeeeento, vocais desesperadores. O peso se alterna com passagens mais tranquilas, mas nada que tire aquela sensação de dor ao ouvir. E o Doom Metal é sobre isso mesmo, certo? Minha preferida é “Empire Of Loneliness”.

A banda veio ao Brasil apenas uma vez, em 2014, no extinto (e maravilhoso festival) Overload Music Fest.

O Swallow The Sun teve duas baixas em sua formação após Songs From The North: O tecladista Aleksi Munter e o guitarrista Markus Jämsen.

Swallow The Sun atualmente é:
Mikko Kotamäki – vocal
Juha Raivio – guitarra
Matti Honkonen – baixo
Juuso Raatikainen – bateria

Swallow The Sun

Katatonia – The Fall Of Hearts

Katatonia – The Fall Of Hearts

O que falar desse álbum que eu conheço bem e considero pacas?

Por muitos anos eu fui avessa ao Doom Metal. Gostava de coisas agitadas. A energia do Thrash, a raiva do Death, a alegria do Power. Mas o mundo do Heavy Metal é tão sortido, diverso. Existem tantas sonoridades, nuances e sentimentos distintos a nos proporcionar, até que aos poucos, bem aos poucos, eu me rendi. E me surpreendi.

O Katatonia surgiu no início da década de 90, na Suécia, mesclando Doom e Death, mas aos poucos o som foi se modificando até chegar nessa belezura de álbum lançado em 2016: The Fall Of Hearts.

Sabe aquele tipo de disco que é difícil de escolher uma música favorita? Peso e melodia alinhados a letras belíssimas. Que álbum!

Se você é iniciante na arte do ‘metal triste’, The Fall Of Hearts é um disco perfeito pra você. Não é tão arrastado e nem tão pesado. Na verdade, diria até que não é tão Doom, mas não perde as raízes.

“Takeover”, “Serein”, “Decima”, “Serac” e “Last Song Before The Fade” são as músicas que mais se destacam. E sim, sei que muita gente diz que a parte lírica desse disco é melosa, fala muito sobre amor, mas qual o problema?

Katatonia hoje é:
Jonas Renksee – Vocal
Anders Nyström – Guitarra
Roger Öjersson – Guitarra
Niklas Sandin – Baixo
Daniel Moilanen – Bateria

katatonia