Censura no Rock e Heavy Metal

Censura no Rock e Heavy Metal

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1 Ação ou efeito de censurar.
2 Exame de trabalhos artísticos ou de material de caráter informativo, a fim de filtrar e proibir o que é inconveniente, do ponto de vista ideológico ou moral.

Em tempos de turbulência política, com população dividida e  farpas vindas de todos os lados, o mundo da música pesada também não ficou ileso.  Não é de hoje que o Rock e Metal sofre ataques. Nos anos 80, por exemplo, um grupo dos Estados Unidos, PMRC, se juntou para tentar calar algumas bandas, dizendo que muitas letras faziam apologia a violência, drogas e sexo. Foi a partir dessa briga que surgiu o adesivo “Parental Advisory: Explicit Lyrics” que vinha na capa dos álbuns.

Recentemente os suecos do Marduk e qualquer pessoa relacionada a banda, foram proibidos de entrar na Guatemala. A decisão veio após uma votação no congresso do país , dizendo que a banda ofende “a moralidade do povo cristão da Guatemala”. A banda também teve o show em Monterrey, no México, cancelado e houveram protestos  na Colômbia e em El Salvador.

Um padre da Guatemala, Sergio Godoy, se posicionou contra a decisão de barrar o Marduk.

“Qualquer coisa é uma distração muito útil, até mesmo nossos padrões duplos. Mais satânicos do que Marduk são as intenções básicas dos deputados corruptos que querem aprovar leis em seu favor; mais satânico é um sistema de saúde que mata silenciosamente; mais satânico é esse sistema exclusivo e injusto; satânico é a teimosia e a estupidez do incenso e da procissão abençoados que são escandalizados por um ‘grupo de música satânica’, mas não são escandalizados pela fome e miséria do seu povo e pela ousadia e arrogância dos governantes: isto é satânico”.  (Tradução retirada do Whiplash)

Em 2017, os brasileiros do Krisiun e Nervochaos foram proibidos de tocar em Bangladesh e ficaram retidos no aeroporto do país pelo mesmo motivo: foram considerados satânicos.

Roger Waters Bolsonaro

A discussão da censura se afervorou após o show do Roger Waters, ex-Pink Floyd, em São Paulo. O músico, que sempre teve uma postura anti-fascismo e leva seu posicionamento político à todos os lugares, foi vaiado por exibir no telão a mensagem “Ele Não” e por relacionar o candidato Jair Messias Bolsonaro do PSL, ao neofascismo.

 

O site HedFlow anunciou o fim da parceria com a revista Rock Brigade alegando censura.

“A razão da ruptura com o veículo deu-se por motivos de tentativa de censura por parte do fundador da Brigade, Antonio Pirani, a uma entrevista realizada com os integrantes Boka e Juninho do Ratos de Porão. Na ocasião, durante o Vagos Metal Fest em Portugal, os membros do RDP trataram conosco sobre as razões pelas quais jamais votariam no candidato de extrema-direita à presidência do Brasil, Jair Messias Bolsonaro.

Pirani, eleitor declarado de Bolsonaro, além de ter pedido votos ao candidato no grupo de colaboradores da Rock Brigade, não quis publicar o material e solicitou que as falas dos entrevistados fossem cortadas em edição a fim de que não chegassem a público o posicionamento político e ideológico dos músicos”. Leia todo o comunicado clicando aqui.

UPDATE:

Em 2017, o deputado Marco Feliciano propôs o projeto 8615/2017, que proíbe a “profanação de símbolos religiosos” em shows.

“§ 2º. Não será permitido que a programação de TV, cinema, DVD, jogos eletrônicos e de interpretação – RPG, exibições ou apresentações ao vivo abertas ao público, tais como as circenses, teatrais e shows musicais, profanem símbolos sagrados.” Leia na íntegra clicando aqui.

Muitas bandas já tiveram capas de álbuns e videoclipes censurados com o passar dos anos. Mas decidi fazer essa compilação enxuta aqui somente para pensarmos sobre alguns pontos:

  • Por que, mesmo depois de tantos anos, ainda há bandas sendo proibidas de levar sua arte a alguns lugares?
  •  Arte é apenas arte ou é um ato de resistência?
  • Estaria o Brasil caminhando para uma época em que shows serão proibidos? Bandas de Black Metal impedidas de entrar no país ou sendo obrigadas a excluir algumas músicas/falas/cenários dos seus shows?
Coming Soon
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Criadora do Menina Headbanger em 2011. Formada em Comunicação Social, apaixonada por Heavy, Thrash, Death e Doom, mãe, trabalhando com marketing, e o tempo todo pensando qual a próxima comida vou mandar pra dentro.

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