A new age dawns

A new age dawns

O Menina Headbanger sempre me fez muito feliz.
Sempre foi incrível ter a chance de conhecer pessoas bacanas, novas bandas, novos músicos.
Era maravilhoso ir em algum show e ter pessoas perguntando se eu, Iza, era a “Menina Headbanger”. Foi um período maravilhoso.

Mas é difícil, muito difícil manter a vida nos trilhos quando tudo que se vê está uma merda. E foi isso que aconteceu no último ano, quando tomei a decisão de deixar o blog em stand-by.

Problemas de saúde e familiares me forçaram a ficar reclusa. Eu precisava desse tempo para cuidar de mim.

Meses atrás eu pensei estar pronta para voltar a escrever aqui, mas foi quando ao entrar na parte administrativa do site, vi que ele tinha sido hackeado. Pois é. Murchei na hora.

Mas não desisto fácil, nunca fui assim com nada. Então, cá estou eu.
Infelizmente, todo o conteúdo do site foi deletado, o que sobrou foi apenas posts de 2011 a 2013.
Pelo que me lembro eram mais de 150 posts, cerca de 20 mil comentários…Mas tudo bem. O mundo do Heavy Metal ainda me proporciona muitas, mas muitas pautas, certo?

Vejo vocês por aqui!

Ps: E se você é uma Menina apaixonada por Heavy Metal e por escrever, que tal ser uma colaboradora no Menina Headbanger?

Ouvindo: Katatonia

(Des)Amores Repentinos

amor platônico menina headbanger

—- ATENÇÃO: Este é um texto literário, altamente fictício. Se você não gosta, corra que é uma cilada! —-

(Des)Amores Repentinos
Às vezes tudo que eu queria era conseguir parar de olhar pra sua foto. Aquela em que você está sorrindo, que deixa aparente suas covinhas e evidencia a barba por fazer. Eu não consigo parar de pensar no tom da sua pele, no brilho dos seus olhos enormes e negros e no cheiro dos seus cabelos longos e ondulados.

Olho várias fotos. Vejo e revejo uma a uma. Decoro a posição dos seus dentes, o formato das suas mãos, os traços da tatuagem no braço esquerdo. Queria parar de imaginar o que você está fazendo. Com quem está? Parar de sentir inveja das pessoas que estão ao seu lado, que te encontram no bar próximo de casa pra tomar umas cervejas, que trabalham com você, da namorada que você terminou há mais de um ano (que eu sei). É uma fisgada no estômago, um aperto no peito e uma sensação de vazio. Tenho inveja de quem já tocou suas mãos que me parecem tão quentes, das que já repousaram em seu peito e foram acariciadas pelos seus lábios grossos e bem desenhados.

Estranho esses tempos. A gente se apega a uma foto, um cheiro imaginário, um jeito que nem sabe se de fato o é como nossa mente o desenha. E as chances de não ser nada daquilo são enormes. As chances de nada se concretizar são enormes. Mas eu continuo a olhar, a contemplar tamanha “perfeição”.

Perfeição. Já é senso comum que ela não existe, mas com amores longínquos é diferente. Você nunca acha que ele pode ser arrogante, esnobe, infantil. Jamais! Aquele homem que se mostra gentil, educado e inteligente, nunca teria algum defeito.

Mas e se ele tiver algo que você não suporte num ser humano? Ele pode ser preconceituoso, pode gostar de brincar com sentimento alheio, ser daquele tipo de pessoa que tenta a todo custo defender o indefensável, intolerante ou nada solidário. Pode até ser fã de Metal Melódico, veja bem. 😉
Até onde você se envolveria com alguém que tem princípios e valores diferentes do que você acredita?

Amor platônico. O amor inatingível. Aquele com probabilidade quase zero de se tornar real… Mas e quando ele se quebra? Quando a probabilidade abre espaço e te dá chances de fazer todas aquelas fantasias se tornarem reais? Quem mora longe visita sua cidade, quem é comprometido fica solteiro, quem nunca te olhou resolve puxar assunto.

Não estou aqui falando de ser fã, de ter uma admiração pelo trabalho de alguém. Nem daquele fanatismo louco e insano das adolescentes por um cantor da moda. Não estou falando das groupies que trocam o corpo por credenciais ou de quem se envolve por interesse. Estou falando de sentimentos. Aquele sentimento que te deixa leve, abobalhado e sonhando acordado, mas com probabilidades minúsculas de que tudo se concretize.

Ele é lindo. Tem um sorriso radiante. 
Inteligente e de humor sagaz.
Trabalhador.
E lindo. 
Lindo.

Mas nem tudo é como imaginamos. Legião Urbana já dizia:

Você é o brinquedo caro
E eu a criança pobre
O menino solitário que quer ter o que não pode
Dono de um amor sublime
Mas culpado por querê-la
Como quem a olha na vitrine
Mas jamais poderá tê-la
Eu sei de todas as suas tristezas
E alegrias
Mas você nada sabes
Nem da minha fraqueza
Nem da minha covardia
Nem sequer que eu existo

Eu gosto é de cabeludos, e daí?

Você viu aquele cara ali? 
A noite estava fresca e o público se amontoava em um dos bares da cidade. Palco pequeno e mal iluminado, som absurdamente alto e uma microfonia de dar enjoo. Cerveja barata e pouca ventilação. As bandas começavam a se ajeitar no palco estreito e escuro. Bandas covers de sempre, nada de muito chamativo, porém o suficiente pra encher o local, que carinhosamente minha mãe chamava de pugueiro. “Você vai pra aquele pugueiro hoje? Não tem lugar melhor pra você ir, não?” e o sermão se esticava. Vai colocar na cabeça da ‘véia’ que é disso que eu gosto? 
Os rostos eram iluminados pela penumbra, hálitos alcoólicos e cheiro de nicotina no ar. Todos os aromas se misturavam junto com o cheiro da máquina de fumaça. Pequenas turmas esvaziavam garrafas de cerveja quente, whisky com energético e copos com caipirinhas coloridas. Alguns faziam brindes por motivos não muito importantes e riam de piadas sem nexo, dava pra ouvir de outra turma que o assunto pairava sobre Matos e Falaschi, Owens e Halford, Kiske e Deris e outros “versus” já manjados. Caminhando por entre as pessoas vestidas de preto, onde as estampas das camisetas não diferenciavam muito: Iron Maiden, Helloween, Hammerfall, Edguy e correlatas, uma turma ou outra debatiam sobre história nórdica, o último álbum do Rhapsody ou o quão os anos 80 foram melhores, mesmo que essas pessoas aparentassem ter nascido já na década de 90. As meninas não eram muitas. Algumas brancas, de cabelos extremamente negros e lisos, olhos pintados, unhas enormes e roupas daquelas que de tão coladas, penso eu que deve dar um trabalho enorme para entrar no corpo. Tudo parecia tão oco. Uma casca superficial frente a tantas pessoas que poderiam ter mentes brilhantes, mas que preferem assuntos já defasados. Ao menos aqueles. Naquele lugar, naquele dia, transparecia isso. Vazio.
Dentre tantos círculos, me chamou atenção um rapaz que não fazia parte de nenhum deles. Sozinho, encostado ao balcão, observando tudo ao redor, porém seu olhar não fixava em nada. Não era muito alto e nem tinha o corpo esbelto. Os cabelos iam pouco abaixo dos ombros, pretos e levemente ondulados que ele prendia metade e o restante deixava solto. O nariz fino, sobrancelhas fartas, braços grossos e mãos grandes. Aparentava ter uns 27 anos e me parecia um pouco deslocado, perdido talvez. 
Meu olhar se fixou nele. Como por quem implorasse alguns segundos de retribuição. Eu nunca fui de ficar com vários homens e confesso ser muito seletiva. Gosto daqueles de cabelos longos e que não tenham a cabeça oca. Muitas pessoas me criticam por preferir homens cabeludos (cabeludo é diferente de peludo, por favor). O fato é que todo mundo tem uma preferência. Uns gostam de loiras, outros de morenas, baixas, altas, peitudas, bundudas…mas por exemplo, você pode ter uma tara infinita por ruivas, mas não é por isso que vai se jogar em qualquer moça com cabelo mal pintado de vermelho que aparecer na frente, não é? Ao menos não deveria, creio eu. Um pouquinho de amor e cuidado com o orgão que te proporciona prazer é sempre bom.

Ok, existem mesmo aquelas que não podem ver homens com madeixas compridas. Se ele for de alguma banda então, nem se fala. Periguetes existem em todos os lugares e não é no Rock e Heavy Metal que elas fariam o favor de nos poupar de suas roupas de mal gosto minúsculas, seu perfume exagerado e sua forma escandalosa de falar e gesticular.  No fim, só querem estar ao lado desse tipo de rapaz por puro status. Eu já sou daquelas que prefere o combo beleza + inteligência. Músicos eu descarto. Dão muito trabalho, pulo fora. 

Sabe aquela famosa frase que diz  “A beleza está nos olhos de quem vê”? Pois bem, é isso. E se beleza pra mim e pra tantas outras for um homem de cabelos longos? Qual é o problema?

Continuei olhando fixamente para o cabeludo. Aquela cara de homem feito e aqueles braços. Ahhh! Sou também uma tarada por braços, admito. Gosto de ser abraçada e sumir, afundar meu rosto no tórax e ouvir as batidas fortes em seu peito e ali esquecer de tudo enquanto ele afaga meus cabelos. Obviamente ele notou o meu olhar insistente e sem pudor, pude notar suas bochechas ruborizadas e um pequeno traço de um sorriso. Nosso flerte foi interrompido pelos primeiros acordes de uma melodia muito familiar. O cover de Stratovarius começava sua apresentação ao som de ‘Forever Free‘.

Eu também não sou nenhuma beldade. Uma moça comum que anda de jeans, camiseta e All Star. Baixinha, branca, de cabelos com luzes cor champagne. 22 anos. Estava no terceiro ano de Pedagogia e solteira há alguns meses. Em busca de um rapaz com bom papo, cérebro recheado de conhecimento e de preferência cabeludo. De preferência, com braços fortes. De preferência.

Ele se chamava Alex, historiador, estava na cidade a trabalho e iria embora no dia seguinte. Sumi em seus braços, sentindo seu perfume, afundei meu rosto em seu tórax enquanto ele afagava meus cabelos e ouvia as batidas fortes do seu peito. Dizem que a felicidade é feita de pequenas coisas. Nunca mais o vi, mas fomos felizes ali, mesmo que por poucas horas.

Dentre tantas coisas que conversamos, ele me falou de um filósofo escocês chamado David Hume, que dizia que “A beleza não é uma qualidade das coisas por si mesmas. Ela existe meramente na mente que as contempla, e cada mente percebe uma diferente beleza.” 

Repito: E se beleza pra mim  for um homem de cabelos longos? Qual é o problema?

Só um pedaço de prata vagabunda

“Porque você está usando aliança? Tá namorando?” Não, estou com saudade “De mim?” Não, de usar aliança mesmo, sabe? De ficar rodando ela quando não tenho o que fazer, é só saudade “Mas você tá namorando? Tá amando alguém? Que não seja eu?” Não, não estou…Olha, na verdade estou sim. Estou me amando, sabe? Cansei de esperar que tudo mudasse ou que o tempo voltasse e a gente se amasse de novo como duas almas juvenis sedentas de calor. “Mas nós não somos mais essas almas sedentas?” Não… “Pode falar a verdade, você está de aliança porque sente  saudades de nós” E se for? O que muda? Vai continuar sendo uma aliança de um relacionamento antigo, que não deu certo, que doeu. É só um pedaço de prata vagabunda e que eu estava sentindo falta entre os meus dedos. “Volta pra mim?”  Você vai me dar uma aliança nova? “Posso dar, você quer?” Não, melhor não…Não quero. “Não quer o quê? A  aliança ou eu?” 

Silêncio.

E eu detestava esse silêncio. Essa fração de segundo onde tudo que tinha que ser dito estava no brilho do olhar, onde as mãos tentam se tocar e o estômago gela. A vontade de abraçar e a de fugir se mesclam num paradoxo de sinergia. Mas as mãos não se tocam. O estômago volta a sua temperatura comum  e a vontade de abraçar dá lugar a uma repugnância sem tamanho. Uma ânsia gigantesca onde eu gorfaria todas as palavras doces que um dia fui capaz de proferir pra tal ser.

“Um dia desses vi que você tava ouvindo Skid Row, pensei que não gostasse” Gosto das mais famosas, sabe? In a Darkned Room, Wasted Life…essas mais manjadas mesmo. É fossa demais pra eu me aprofundar nesse tipo de coisa.

“Porque você não fala a verdade?”

Nessa hora eu queria mesmo dizer a verdade. Todas aquelas que ele merece ouvir e eu nunca tive coragem e momento mais propício. Mas onde é que a coragem se esconde quando aqueles olhos me olham? Quando aquele cabelo comprido se movimenta e aquele sorriso…ah, aquele sorriso se abre! Cadê a bendita/maldita coragem? 

Eu aprendi a gostar de Skid Row, Cinderella, Motley Crüe, Poison e todas essas coisas. Aliás, depois que saímos de um relacionamento a gente aprende tantas coisas. A se virar, se amar, se divertir. Tudo sem precisar de outro alguém. Egocentrismo? Talvez, porque não? Amor próprio bem dosado é o melhor que pode nos acontecer nessas horas.

Não sei se tenho pena ou digo “Bem feito” pra pessoas que ficam se martirizando com o fim de algum ciclo. A vida é cheio deles. Pensar que tudo é pra sempre é bonito, mas não condiz com a realidade. O que é pra sempre? O que é 100%? Não aceitar que tudo tem seu fim é tão bobo e inocente. Dói? Sim. Muito. Mas passa. Tudo passa. E eu estava esperando passar.

“Vai ter um show legal nesse sábado, você não quer ir comigo?” Esse sábado? Esse sábado não rola, já tenho um passeio marcado. “Com quem? Do que?”

Já reparou que quando as pessoas não aceitam o fim de um ciclo, ela fica curiosa em saber o que acontece? Porque? Pra que? Onde? Com quem? E isso não acontece só com o outro. Conosco também. Quantas vezes você se deparou vasculhando o que já não te diz mais respeito?

Declinei o convite. Certa de que o ciclo se fechou, que voltar atrás nem sempre é uma boa opção e que não é um sorriso, palavras bonitas e/ou presentes que fazem tudo de ruim se extinguir. 

Me despedi com educação e um sorriso no rosto. Tirei a prata vagabunda do dedo e joguei no fundo da bolsa. Fui embora com passos firmes e segura de mim. Segura da decisão. Se vou me arrepender? Não sei, talvez. E se essa não for a hora certa desse ciclo se fechar? Mas passa. Tudo passa. E eu estava esperando passar.

Iza Rodrigues

Você gosta de ler?

 

Quando tive a ideia de abrir um blog, queria poder juntar todas as coisas que gosto num só lugar. Por isso o Menina Headbanger não é só mais um blog de Moda e Beleza Alternativa, aqui você encontra postagens sobre livros, filmes, CD’S, shows dentre outras coisas e que alcançam um público masculino enorme, por isso (e também pela falta de tempo) deixei os posts femininos um pouco de lado.
 
Aqui tem muito de mim. O Menina Headbanger é o puro eu e será ainda mais.
 
Eu amo escrever, desde pequena sou apaixonada por textos que façam minha mente voar longe, que me transportem a outros lugares e que me faça refletir sobre assuntos diversos, muitas vezes nunca abordados pela minha mente atribulada. E como sempre quis que meu bloguinho fosse algo cultural, começarei a publicar textos meus, com histórias e personagens altamente fictícios, mas que possam mexer com vocês um pouco. Concordando, discordando, refletindo.
 
Vocês gostam de ler? Então preparem-se! 😉