(Des)Amores Repentinos

amor platônico menina headbanger

—- ATENÇÃO: Este é um texto literário, altamente fictício. Se você não gosta, corra que é uma cilada! —-

(Des)Amores Repentinos
Às vezes tudo que eu queria era conseguir parar de olhar pra sua foto. Aquela em que você está sorrindo, que deixa aparente suas covinhas e evidencia a barba por fazer. Eu não consigo parar de pensar no tom da sua pele, no brilho dos seus olhos enormes e negros e no cheiro dos seus cabelos longos e ondulados.

Olho várias fotos. Vejo e revejo uma a uma. Decoro a posição dos seus dentes, o formato das suas mãos, os traços da tatuagem no braço esquerdo. Queria parar de imaginar o que você está fazendo. Com quem está? Parar de sentir inveja das pessoas que estão ao seu lado, que te encontram no bar próximo de casa pra tomar umas cervejas, que trabalham com você, da namorada que você terminou há mais de um ano (que eu sei). É uma fisgada no estômago, um aperto no peito e uma sensação de vazio. Tenho inveja de quem já tocou suas mãos que me parecem tão quentes, das que já repousaram em seu peito e foram acariciadas pelos seus lábios grossos e bem desenhados.

Estranho esses tempos. A gente se apega a uma foto, um cheiro imaginário, um jeito que nem sabe se de fato o é como nossa mente o desenha. E as chances de não ser nada daquilo são enormes. As chances de nada se concretizar são enormes. Mas eu continuo a olhar, a contemplar tamanha “perfeição”.

Perfeição. Já é senso comum que ela não existe, mas com amores longínquos é diferente. Você nunca acha que ele pode ser arrogante, esnobe, infantil. Jamais! Aquele homem que se mostra gentil, educado e inteligente, nunca teria algum defeito.

Mas e se ele tiver algo que você não suporte num ser humano? Ele pode ser preconceituoso, pode gostar de brincar com sentimento alheio, ser daquele tipo de pessoa que tenta a todo custo defender o indefensável, intolerante ou nada solidário. Pode até ser fã de Metal Melódico, veja bem. 😉
Até onde você se envolveria com alguém que tem princípios e valores diferentes do que você acredita?

Amor platônico. O amor inatingível. Aquele com probabilidade quase zero de se tornar real… Mas e quando ele se quebra? Quando a probabilidade abre espaço e te dá chances de fazer todas aquelas fantasias se tornarem reais? Quem mora longe visita sua cidade, quem é comprometido fica solteiro, quem nunca te olhou resolve puxar assunto.

Não estou aqui falando de ser fã, de ter uma admiração pelo trabalho de alguém. Nem daquele fanatismo louco e insano das adolescentes por um cantor da moda. Não estou falando das groupies que trocam o corpo por credenciais ou de quem se envolve por interesse. Estou falando de sentimentos. Aquele sentimento que te deixa leve, abobalhado e sonhando acordado, mas com probabilidades minúsculas de que tudo se concretize.

Ele é lindo. Tem um sorriso radiante. 
Inteligente e de humor sagaz.
Trabalhador.
E lindo. 
Lindo.

Mas nem tudo é como imaginamos. Legião Urbana já dizia:

Você é o brinquedo caro
E eu a criança pobre
O menino solitário que quer ter o que não pode
Dono de um amor sublime
Mas culpado por querê-la
Como quem a olha na vitrine
Mas jamais poderá tê-la
Eu sei de todas as suas tristezas
E alegrias
Mas você nada sabes
Nem da minha fraqueza
Nem da minha covardia
Nem sequer que eu existo

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